Parasita é encontrado na água de Itapeva, crise sanitária se agrava e Prefeitura suspende aulas
Resultado divulgado pela prefeita Adriana Duch e pelo secretário de Saúde, Beto da Farmácia, aponta presença de Cryptosporidium em amostras analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz; descoberta ocorre após mais de 2,6 mil casos de gastroenterite e aumenta a pressão por explicações da Sabesp.
A crise envolvendo a qualidade da água em Itapeva ganhou um novo e preocupante capítulo nesta quarta-feira (28). A prefeita Adriana Duch e o secretário municipal de Saúde, Beto da Farmácia, divulgaram nas redes sociais informações sobre um laudo do Instituto Adolfo Lutz que identificou a presença do protozoário Cryptosporidium spp. em amostras de água coletadas no município. A descoberta ocorre em meio a um surto de gastroenterite que atingiu mais de 2,6 mil pessoas em aproximadamente 20 dias, provocando preocupação entre moradores e autoridades sanitárias. Diante dos novos resultados, a Prefeitura anunciou a suspensão das aulas em toda a rede municipal de ensino nesta quinta-feira (29), ampliando as medidas preventivas enquanto prosseguem as investigações sobre a origem da possível contaminação.
O resultado laboratorial representa um novo elemento na investigação sanitária iniciada após centenas de moradores procurarem atendimento médico com sintomas de diarreia, vômitos, náuseas e dores abdominais. Antes da identificação do protozoário, análises já haviam apontado alterações nos parâmetros de cloração, cor e turbidez da água, enquanto a Sabesp, responsável pelo abastecimento público, sustentava que seus próprios exames indicavam conformidade com os padrões de potabilidade. A presença do parasita nas amostras reforça a necessidade de esclarecer as condições da água consumida pela população, embora ainda não seja possível estabelecer, exclusivamente a partir desse resultado, que o abastecimento público tenha provocado todos os casos de gastroenterite registrados na cidade.
Além da suspensão das atividades escolares municipais, a administração anunciou o fornecimento de água filtrada nas unidades de saúde, destinada a pacientes e funcionários. A preocupação é especialmente relevante porque o Cryptosporidium pode provocar criptosporidiose, uma infecção intestinal transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados. O protozoário apresenta uma característica que merece atenção das autoridades: é altamente resistente ao cloro nas concentrações normalmente utilizadas no tratamento da água, exigindo processos adequados de remoção e inativação. Isso significa que a simples utilização de hipoclorito de sódio não garante sua eliminação, embora o produto seja eficaz contra diversos outros microrganismos.
O novo resultado também aumenta a pressão sobre a Sabesp, que vinha afirmando que a água distribuída em Itapeva atendia aos padrões exigidos pela legislação. A concessionária já havia sido alvo de questionamentos após as primeiras análises apontarem irregularidades em determinados parâmetros de qualidade. Na segunda-feira (26), a Câmara Municipal aprovou a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), destinada a investigar possíveis falhas no tratamento e na distribuição da água. Com a identificação do parasita, ganham relevância questões como os pontos exatos de coleta, a extensão da ocorrência, os procedimentos de tratamento empregados e a eventual relação epidemiológica entre o abastecimento e o adoecimento da população. Até a conclusão das investigações, não é possível atribuir responsabilidade definitiva à concessionária.
A preocupação sanitária exige cuidados adicionais, sobretudo com crianças, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido, que podem apresentar complicações mais graves em decorrência da infecção. Diante da suspeita de contaminação, especialistas em saúde pública recomendam utilizar água de procedência segura ou fervida adequadamente para beber e preparar alimentos. A fervura por pelo menos um minuto após o início da ebulição é eficaz contra o Cryptosporidium. Filtros domésticos comuns, por sua vez, não oferecem necessariamente proteção contra esse protozoário, sendo indispensável verificar se o equipamento possui capacidade certificada para removê-lo. Essas precauções devem ser acompanhadas das orientações específicas da Vigilância Sanitária.
O que começou como um aumento expressivo de atendimentos por gastroenterite transformou-se em uma crise sanitária que exige respostas técnicas, transparência e providências concretas. A população de Itapeva precisa saber se a água que chega às torneiras oferece segurança para o consumo, quais medidas estão sendo adotadas para evitar novas ocorrências e quando haverá uma conclusão sobre as causas do surto. A identificação do parasita não encerra as investigações, mas acrescenta um dado relevante às suspeitas que mobilizam o município há semanas. Agora, caberá às autoridades sanitárias e à Sabesp esclarecer a extensão do problema e apresentar informações capazes de restabelecer a confiança da população no abastecimento de água.

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