Política

Maurício Neves acelera campanha e transforma Sudoeste Paulista em prioridade eleitoral

Deputado federal percorre Ribeirão Branco, Itapeva, Nova Campina e Taquarivaí no mesmo dia, reúne grupos políticos distintos e aposta em prefeitos, vereadores e lideranças municipais para ampliar presença na região

Se campanha eleitoral também se mede pelo número de quilômetros rodados, Maurício Neves decidiu não economizar combustível no Sudoeste Paulista. Na terça-feira (25), o deputado federal e candidato à reeleição percorreu quatro municípios da região em uma única jornada. Passou por Ribeirão Branco, Itapeva, Nova Campina e Taquarivaí, caminhou pelo comércio, apareceu ao lado de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e candidatos e encerrou o dia deixando uma mensagem política bastante clara: o Sudoeste entrou definitivamente no mapa prioritário de sua campanha.

Foi a segunda passagem do parlamentar pela região em menos de dez dias de campanha. O dado, isoladamente, pode parecer apenas parte da rotina de qualquer candidato atrás de votos. Não é. Campanhas proporcionais têm uma característica implacável: tempo é patrimônio escasso. Um candidato a deputado federal por São Paulo precisa escolher cuidadosamente onde gastar horas, estrutura e capital político num Estado que possui 645 municípios e uma das disputas mais pulverizadas do país. Quando retorna duas vezes à mesma região num intervalo tão curto e, numa dessas visitas, encaixa quatro cidades na agenda, o candidato não está passeando. Está demarcando território.

O roteiro começou em Ribeirão Branco. Maurício caminhou pela região central acompanhado do prefeito Tuca Ribas, do vice-prefeito Alessandro Lê e de vereadores. A fotografia política é tão importante quanto a caminhada. Prefeitos e vereadores continuam sendo peças fundamentais numa eleição para deputado porque dispõem justamente daquilo que propaganda de televisão, impulsionamento digital e santinho nenhum conseguem fabricar rapidamente: contato cotidiano com o eleitor. Nas cidades menores, essa relação é ainda mais decisiva. A recomendação de uma liderança conhecida pode atravessar portas que o candidato vindo de Brasília dificilmente abriria sozinho.

Em Itapeva, maior município e principal centro político do Sudoeste Paulista, a estratégia ficou ainda mais evidente. Maurício Neves dividiu a passagem pela cidade em dois momentos e circulou entre grupos que nem sempre ocupam exatamente a mesma trincheira da política municipal. Primeiro, esteve no calçadão ao lado da candidata a deputada estadual Débora Marcondes, uma de suas principais aliadas na cidade. A chamada “dobrada” — federal de um lado, estadual do outro — continua sendo uma das engrenagens mais tradicionais das campanhas proporcionais. Um candidato empresta estrutura, lideranças e votos potenciais ao outro, e ambos tentam impedir que o eleitor monte a chapa na última hora, escolhendo nomes de grupos diferentes.

Pouco depois, Maurício apareceu com integrantes do grupo político da deputada Simone Marquetto, da prefeita Adriana Duch e do candidato a deputado estadual Danilo Joan. O movimento talvez seja o trecho mais revelador da agenda. Em eleições proporcionais, candidato que pretende crescer não pode se dar ao luxo de transformar cada diferença municipal numa guerra particular. Maurício parece ter entendido a matemática. Em vez de restringir sua campanha a uma única corrente, procura circular entre lideranças diferentes, acumulando apoios onde eles estiverem disponíveis. É menos uma questão de amizade e mais uma questão de urna.

Depois de Itapeva, a comitiva seguiu para Nova Campina. Ali, o deputado percorreu estabelecimentos comerciais acompanhado do ex-prefeito Eliel, da ex-prefeita Josi do Eliel, de vereadores e novamente de Débora Marcondes e Simone Marquetto. A repetição de alguns nomes ao longo do trajeto mostra que a campanha procura construir uma espécie de eixo regional, evitando que cada município funcione como uma ilha eleitoral. É uma estratégia clássica e eficiente quando funciona: lideranças municipais ajudam a legitimar o candidato na cidade seguinte e produzem a impressão de que existe um movimento regional em torno daquele nome.

O encerramento aconteceu em Taquarivaí, já à noite. No Estádio Moreirão e depois pelas ruas da cidade, Maurício esteve acompanhado dos vereadores Leide do Sebastião, Ananias, Joel do Formigas e Lucas, além do ex-prefeito Sebastião. Outra vez, a campanha priorizou lideranças com voto próprio e presença cotidiana no município. Pode parecer detalhe, mas não é. Uma campanha de deputado federal é construída voto a voto, bairro a bairro, cidade a cidade. Grandes eventos produzem fotografias. Vereadores, prefeitos e ex-prefeitos produzem capilaridade.

Há também outro componente que deverá aparecer cada vez mais no discurso de Maurício Neves: os investimentos destinados à região durante seu mandato. O parlamentar tenta consolidar a imagem de deputado com presença política acompanhada de recursos para os municípios. Essa será provavelmente uma das linhas centrais de sua campanha no Sudoeste Paulista. Afinal, candidato à reeleição não disputa apenas com promessas. Carrega a vantagem — e também o peso — de possuir mandato para apresentar. Quem já esteve em Brasília precisa mostrar o que fez, onde colocou recursos e quais resultados pode reivindicar.

É justamente aí que a campanha terá de ser submetida ao teste dos números. A alegação de que Maurício Neves está entre os parlamentares que mais investiram no Sudoeste Paulista pode render uma boa frase de palanque, mas a política séria exige a planilha correspondente. Emendas empenhadas, pagas, transferências especiais, recursos de custeio, investimentos e valores efetivamente liberados precisam ser colocados sobre a mesa. Quanto mais a campanha utilizar o argumento dos recursos destinados à região, mais natural será a cobrança para que apresente município por município, valor por valor, o que efetivamente saiu dos cofres da União e chegou ao destino anunciado.

Isso não diminui a importância política da agenda desta terça-feira. Pelo contrário. Quatro cidades em um único dia demonstram organização, disposição e, sobretudo, escolha estratégica. O deputado não percorreu o Sudoeste Paulista por acaso. Está procurando transformá-lo em base eleitoral consistente numa disputa particularmente dura: São Paulo elege 70 deputados federais, mas coloca centenas de candidatos na corrida pelas vagas.

Maurício Neves parece ter feito sua escolha. Em vez de tratar o Sudoeste como escala eventual de campanha, tenta apresentar-se como deputado da região. Para conseguir, precisará transformar fotografias ao lado de prefeitos e vereadores em votos e converter o discurso dos investimentos em números comprováveis. A primeira parte depende das lideranças que estiveram com ele nas ruas. A segunda depende dos documentos.

Na urna, como sempre, não existe espaço para legenda em fotografia. Existe apenas voto.

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