Polícia

Casal queria saber qual era a sensação de matar, diz delegado sobre morte de Jennifer em Avaré

Dois investigados foram presos no sábado (15), após denúncia anônima provocar reviravolta no caso ocorrido em 2021; mulher confessou participação e apontou envolvimento de uma terceira pessoa

A investigação sobre a morte de Jennifer Eduarda da Cruz Blimblem, de 18 anos, encontrada em uma área rural de Avaré, em setembro de 2021, teve uma reviravolta após quase cinco anos. Dois investigados foram presos no último sábado (15), depois que novas diligências da Polícia Civil levaram à confissão de uma mulher e à identificação de três pessoas que teriam participado do crime. Segundo o delegado Adriano Leite de Assis, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré, o casal investigado dizia ter curiosidade em “saber qual era a sensação de matar uma pessoa”.

O inquérito havia sido instaurado logo após a localização do corpo, mas a linha inicial de investigação não reuniu elementos técnicos suficientes para vincular os primeiros suspeitos ao homicídio. O caso voltou a avançar no fim de 2025, quando a DIG recebeu uma denúncia anônima apontando a participação de um casal e mencionando a existência de um terceiro envolvido. A partir da informação, policiais realizaram levantamentos de inteligência e encontraram dados que, embora não comprovassem diretamente a autoria, chamaram a atenção dos investigadores.

O casal foi intimado e permaneceu por mais de quatro horas na delegacia no dia 13 de agosto deste ano. Durante os depoimentos, os investigadores identificaram diversas contradições. Inicialmente, os dois teriam afirmado que comentavam entre amigos que haviam matado Jennifer apenas para chamar atenção. No dia seguinte, porém, a mulher retornou espontaneamente à unidade policial, alegou estar com “peso na consciência” e confessou sua participação, apresentando detalhes sobre o planejamento e a execução do crime.

De acordo com o relato apresentado à polícia, Jennifer estava alcoolizada quando foi convidada pelos investigados para sair e continuar bebendo. Duas testemunhas permaneceram com o grupo durante parte da noite, mas foram deixadas em outro ponto antes que os três suspeitos seguissem com a vítima para uma área isolada. A mulher contou que conversava com Jennifer quando um dos rapazes a atacou com uma faca. Na sequência, ela também teria golpeado a vítima, enquanto o então namorado utilizou uma barra de ferro. Para confirmar a morte, outro envolvido teria usado o macaco do veículo. A polícia informou que não foram encontrados elementos que confirmassem violência sexual.

Após o homicídio, os suspeitos teriam transportado o corpo até o lugar onde ele foi posteriormente encontrado. Ainda durante a madrugada, retornaram à área sob a alegação de procurar os óculos de um dos participantes, passaram por um posto de combustíveis e, em seguida, atearam fogo no corpo. A investigada também relatou que fez um pacto de sangue com o namorado para que nenhum dos dois revelasse o crime. Conforme a polícia, ela precisou procurar atendimento médico em 27 de setembro de 2021 para receber pontos na mão, informação confirmada pelos investigadores. A mulher afirmou ainda que o companheiro tinha interesse por satanismo e chegou a propor a prática de outro homicídio.

Outro elemento analisado pela DIG é uma tatuagem feita por um dos investigados após a morte de Jennifer, com a expressão em inglês “Born to Kill”, traduzida como “nascido para matar”. O homem alegou que a frase seria uma referência a um filme, mas a polícia considera a tatuagem um possível indício quando examinada em conjunto com os depoimentos e os demais elementos reunidos. A apuração prossegue para esclarecer a responsabilidade individual dos três envolvidos. Participaram da apresentação do caso o delegado seccional Fabiano Ribeiro Ferreira da Silva, o chefe dos investigadores da Seccional, Alexandre Novaes Costa Aurani, o investigador-chefe da DIG, Mário Celestino, e outros policiais responsáveis pelas diligências.

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