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Polícia indicia conselheiras tutelares por suposta negligência após criança de dois anos defecar preservativos em creche de Cerquilho

Investigação aponta possível omissão no atendimento do caso; mãe da menina também pode voltar à prisão após descumprir medida judicial

A Polícia Civil de Cerquilho (SP), concluiu o inquérito que apura um grave caso de maus-tratos envolvendo uma criança de apenas dois anos e indiciou duas conselheiras tutelares por suposta negligência durante o atendimento da ocorrência. O caso ganhou repercussão após a menina defecar dois preservativos dentro da creche onde estuda, fato registrado no dia 14 de maio e que desencadeou uma ampla investigação policial.

Segundo o delegado Emerson Jesus Martins, responsável pelo caso, as conselheiras teriam sido acionadas pela equipe da unidade escolar, mas orientaram funcionárias da creche a descartar o material no vaso sanitário sem comunicar imediatamente as autoridades policiais. A investigação também aponta que as conselheiras levaram a criança ao hospital sem permitir que a professora e a diretora acompanhassem o atendimento médico. Posteriormente, a menina teria sido entregue novamente à mãe sem autorização da polícia.

Durante as diligências, a Polícia Civil constatou um cenário considerado alarmante na residência da família, localizada no bairro Parque das Árvores. Conforme o relatório policial, crianças entre 2 e 8 anos viviam em situação degradante, sem acesso regular à água e se alimentando diretamente no chão da casa, que estaria tomado por fezes. A mãe já possuía denúncias anteriores relacionadas a maus-tratos contra os filhos.



A mulher estava em prisão domiciliar desde o dia 15 de maio, mas, conforme a polícia, descumpriu a medida judicial após não ser localizada durante uma vistoria realizada pelas equipes responsáveis pelo monitoramento. Diante disso, o delegado solicitou à Justiça a conversão da medida em prisão preventiva.

O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na quinta-feira (21) e inclui o pedido de afastamento das conselheiras tutelares das funções. Até o momento, o Conselho Tutelar de Cerquilho não se pronunciou oficialmente sobre o indiciamento. Em nota divulgada no início das investigações, o órgão afirmou que as acusações feitas pela Polícia Civil eram “falsas e não correspondem à verdade”, acrescentando que estaria à disposição para colaborar com o esclarecimento dos fatos.

O caso segue sob acompanhamento das autoridades e pode resultar em novos desdobramentos judiciais nos próximos dias. A investigação busca esclarecer se houve omissão institucional diante dos indícios de violência e vulnerabilidade enfrentados pelas crianças, além de apurar eventual responsabilidade criminal dos envolvidos.

Fotos: Divulgação/Polícia Civil

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