Depois da queda, o corte: Generci exonera cúpula e inicia reorganização da Prefeitura
Diários Oficiais escancaram desmonte completo da antiga gestão, designações interinas e primeiras movimentações administrativas sob comando de Generci Neves
Se alguém ainda tinha dúvida de que a troca de prefeito em Itapeva representaria uma ruptura profunda, os Diários Oficiais desta sexta-feira (24) trataram de dissipar qualquer ilusão. Em sequência quase cirúrgica, o novo governo não apenas ampliou a lista de exonerações iniciada horas antes, como também começou a montar, ainda que de forma improvisada, a engrenagem que sustentará a nova gestão. O resultado é um retrato típico de transição abrupta: uma Prefeitura esvaziada no topo e, ao mesmo tempo, sendo reconstruída em caráter emergencial.
A nova leva de exonerações atinge o coração financeiro e operacional do município. Foram desligados Laércio Lopes (Finanças), Laurindo José Lopes Paulino (Desenvolvimento Rural e Infraestrutura), Nestor Renato de Oliveira (Agricultura e Abastecimento), Lucicléia de Siqueira Rodrigues Schreiner (Assistência Social) e Juliana Carli Ferreira da Silva (Assessoria Especial de Governo). A mensagem é inequívoca: o governo anterior não deixou herança administrativa — deixou cargos vagos.
Ao mesmo tempo em que desmonta, o governo Generci tenta evitar o colapso. E é aí que entram as nomeações e designações interinas, uma solução clássica em momentos de emergência administrativa. O nome que mais aparece nesse primeiro momento é o de Célio Cesar Rosa Engue, que passa a acumular funções estratégicas. Ele foi designado interinamente para responder pelas secretarias de Educação, Juventude, Esportes e Lazer e também Desenvolvimento Urbano — três áreas sensíveis que não poderiam permanecer sem comando, ainda que provisório.
A escolha por centralizar responsabilidades em um único nome revela mais do que falta de quadros imediatos — revela pressa. Pressa em manter a máquina funcionando, em evitar paralisações e, principalmente, em impedir que a ausência de gestão se transforme em crise operacional. Mas também expõe um risco evidente: a sobrecarga administrativa e a fragilidade de decisões concentradas em caráter provisório.
Entre os poucos movimentos de nomeação efetiva, surge o nome de Maria Eliza Ferraresi, indicada para a Secretaria Municipal de Saúde, uma das pastas mais críticas da administração pública. Também aparece a nomeação de Francine Rodrigues dos Santos Marques como diretora do Departamento de Engenharia, ligada ao setor de Desenvolvimento Urbano. São sinais de que o governo começa a preencher espaços — ainda que de forma gradual e seletiva.
Paralelamente às mudanças de pessoal, o Diário Oficial também traz atos administrativos que revelam a tentativa de manter o mínimo de normalidade institucional. Um exemplo é a homologação de inexigibilidade de licitação para revisão de um veículo oficial junto à empresa Soma Automóveis Ltda, no valor de R$ 1.495,20, além de outra contratação de R$ 680,00 para capacitação de conselheiros da Assistência Social. Pequenos atos, mas que indicam que, apesar da turbulência política, a máquina pública precisa continuar girando.
No plano político, a narrativa oficial tenta suavizar o cenário. Em nota publicada no próprio Diário, a Prefeitura afirma que a nova gestão começou sem uma transição administrativa adequada, o que teria dificultado o acesso a informações e comprometido a continuidade de ações. O texto fala em reorganização, diagnóstico e compromisso com eficiência. Na prática, é a versão institucional de um problema conhecido: assumir no escuro.
Mas o Diário Oficial não mente — ele registra. E o que está registrado é um governo que começa desmontando quase tudo para tentar montar algo novo. A ausência de uma transição organizada, citada pela própria administração, ajuda a explicar o cenário, mas não resolve o problema. Governar sem diagnóstico completo é arriscado; governar com pressa, mais ainda.
Itapeva, mais uma vez, se vê diante de um recomeço forçado. A sequência de exonerações e nomeações não é apenas um ajuste administrativo — é a evidência de um sistema político que falha na previsibilidade e na continuidade. Cada decreto publicado é um lembrete de que a estabilidade institucional ainda é um desafio distante.
O governo Generci Neves começa sob o signo da urgência. Entre demitir e nomear, tenta equilibrar a necessidade de ruptura com a obrigação de manter a cidade funcionando. O problema é que, em política, desmontar é rápido. Reconstruir exige tempo, competência e, principalmente, consistência — três fatores que ainda precisarão ser comprovados nos próximos capítulos.

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