Política

Nova gestão passa o rodo: Generci exonera secretariado herdado de Adriana Duch


Diário Oficial traz queda em bloco de secretários e expõe estratégia de ruptura total com governo anterior

A caneta do novo prefeito de Itapeva não demorou a mostrar para que veio. No primeiro movimento concreto após assumir o cargo, Generci Neves promoveu uma exoneração em série que atingiu praticamente todo o alto escalão da gestão anterior. Publicados no Diário Oficial desta sexta-feira (24), os decretos não deixam margem para dúvida: o governo que caiu na Câmara agora também foi desmontado dentro da Prefeitura, cargo por cargo, nome por nome. 

A lista de dispensas é extensa e estratégica. Foram exonerados Oseas de Barros Campolim (Relações Institucionais), Samir Bakhos Lahoud Campolim (Cultura e Turismo), Roberto Fernandes Nogueira de Araújo (Defesa Social), Luciano Bruno Vidal (Desenvolvimento Urbano), Karen Grube Lopez (Saúde), Paulo Roberto Eloriaga Aeti de Oliveira (Recursos Hídricos e Meio Ambiente), Geni Cardoso Müzel Santos (Educação), Alexsandro Oliveira Nogueira (Planejamento), Antonio da Rocha Marmo de Almeida (Juventude, Esportes e Lazer), Antonio Dimas Mancebo Júnior (Administrações Regionais) e Alceu Silva de Paula (Desenvolvimento Econômico). 

Não se trata de ajustes pontuais. É uma intervenção estrutural. A exoneração em bloco revela que Generci não pretende administrar com herança política — pretende começar do zero. Em termos práticos, a Prefeitura entra em um regime de reconstrução, onde a prioridade não é dar continuidade, mas redefinir o próprio modelo de gestão.

Entre os atos publicados, há movimentações que indicam reorganização interna, como o caso de Célio Cesar Rosa Engue, que aparece em ato envolvendo exoneração e nomeação no núcleo de Governo e Relações Institucionais. Ainda assim, esses episódios são exceções. O quadro geral é de vacância. A nova administração optou por esvaziar primeiro e preencher depois — uma estratégia que privilegia controle político, ainda que ao custo de instabilidade inicial. 

O impacto dessa decisão é imediato. Sem secretários formalmente mantidos, áreas essenciais passam a depender de nomeações urgentes para garantir continuidade mínima dos serviços. Saúde, Educação e Planejamento, por exemplo, não são setores que toleram improviso por muito tempo. A ausência de comando técnico nessas pastas pode gerar efeitos rápidos — e, em alguns casos, irreversíveis no curto prazo.

Mas, do ponto de vista político, o gesto é calculado. Generci Neves assume deixando claro que não aceitará carregar o desgaste da gestão que terminou cassada. Ao exonerar praticamente todos os nomes ligados ao governo anterior, ele tenta se blindar e reposicionar sua imagem diante da população. É uma tentativa de dizer, sem discurso: “não é continuidade, é ruptura”.

O problema é que ruptura, por si só, não resolve. A troca de nomes não garante eficiência, nem corrige falhas estruturais que vêm se acumulando há anos em Itapeva. A cidade já assistiu a mudanças de comando antes — e nem sempre elas resultaram em melhora administrativa. O histórico recente é prova de que substituir gestores é fácil; difícil é construir um governo que funcione.

Neste momento, o governo Generci começa com uma folha praticamente em branco — o que pode ser uma vantagem ou um risco. Tudo dependerá da velocidade e da qualidade das próximas nomeações. Se optar por critérios técnicos, pode inaugurar um novo ciclo. Se repetir velhos padrões, apenas trocará os protagonistas de um roteiro já conhecido.

Por enquanto, o que o Diário Oficial registra é claro: o passado foi oficialmente desligado. Resta saber se o futuro será apenas uma nova versão do mesmo problema ou, finalmente, uma tentativa real de solução.

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