Polícia

Bombeiro que matou ex-companheira e dois jovens dentro de casa é condenado a mais de 85 anos em Apiaí

Tribunal do Júri reconhece feminicídio e homicídios qualificados; crime chocou a região em 2024 e envolveu uso de arma da corporação

O Tribunal do Júri condenou, nesta quarta-feira, 25 de março, o bombeiro militar Ednei Antônio Vieira pelos assassinatos da ex-companheira e de dois jovens dentro de uma residência em Apiaí (SP). O crime, ocorrido em maio de 2024, ganhou repercussão pela brutalidade e pelas circunstâncias envolvendo um agente público. O réu foi sentenciado por feminicídio, dois homicídios qualificados e furto qualificado, somando uma pena de mais de 85 anos de prisão, além do pagamento de indenização de R$ 1 milhão aos familiares das vítimas.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, Ednei não aceitava o fim do relacionamento com Josilene Paula da Rosa e teria ido até a casa dela, por volta das 21h50 do dia 16 de maio, com o objetivo de reatar. Diante da recusa, segundo a acusação, ele efetuou disparos contra a ex-companheira e contra os dois filhos dela: Gabriel Henrique da Rosa Miranda, de 20 anos, e Arthur Franco Rodrigues Cardoso, de 12 anos. As três vítimas morreram ainda dentro da residência.

A perícia técnica apontou que os disparos foram realizados em sequência, sem qualquer possibilidade de defesa por parte das vítimas, o que reforçou a tese de execução sustentada pelo Ministério Público. O crime foi classificado como feminicídio, no caso de Josilene, e homicídios qualificados em relação aos dois jovens, considerando circunstâncias como motivo torpe e impossibilidade de reação.

Outro ponto central do processo foi a arma utilizada no crime: uma pistola Glock calibre .40 pertencente ao quartel do Corpo de Bombeiros de Apiaí. Segundo os autos, o desaparecimento da arma havia sido percebido horas antes do ocorrido, e cápsulas do mesmo calibre foram encontradas no local. Após os assassinatos, o condenado deixou a residência e abandonou o veículo utilizado na fuga na cidade de Guapiara.

Ainda conforme a investigação, o celular de uma das vítimas foi levado após o crime, configurando furto qualificado, também incluído na condenação. O conjunto de provas — incluindo perícia balística, dinâmica dos fatos e elementos colhidos durante a investigação — foi considerado suficiente para sustentar a autoria e a materialidade dos crimes.

Antes do julgamento pelo Tribunal do Júri, Ednei já havia sido condenado pela Justiça Militar a 7 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, pela subtração da arma da corporação. A defesa recorre dessa decisão. Procurada, não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

Fotos: Reprodução

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