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Quaresma começa nesta quarta-feira dia 18 de fevereiro e marca tempo de penitência e reflexão para cristãos

Período que antecede a Páscoa tem origem no século IV, remete aos 40 dias bíblicos e, em 2026, segue até 2 de abril

A partir desta quarta-feira, 18 de fevereiro, tem início a Quaresma, período central do calendário cristão que sucede o Carnaval e antecede a celebração da Páscoa. Tradicionalmente associado à prática do jejum, da oração e das obras de caridade, o ciclo quaresmal é entendido, sobretudo na tradição católica, como um tempo de revisão de vida, penitência e aprofundamento espiritual. Embora historicamente vinculado a 40 dias de duração, o período atualmente se estende por 44 dias, encerrando-se na Quinta-feira Santa.

A origem da Quaresma remonta ao século IV da era cristã, quando, em 325 d.C., durante o Primeiro Concílio de Niceia, foram consolidados critérios fundamentais da fé cristã, entre eles a definição da data da Páscoa. O concílio estabeleceu que a celebração pascal ocorreria no primeiro domingo após a primeira Lua cheia posterior ao equinócio da primavera no Hemisfério Norte — regra que tornou a Páscoa uma data móvel, variando entre 22 de março e 25 de abril. A partir desse cálculo, determinam-se também o Carnaval e, consequentemente, a Quarta-feira de Cinzas, marco inicial da Quaresma.

O simbolismo dos 40 dias encontra respaldo na tradição bíblica. O número está associado ao jejum de Jesus no deserto, que teria durado 40 dias; ao período do dilúvio enfrentado por Noé, igualmente de 40 dias e 40 noites; e aos 40 anos de travessia do povo hebreu pelo deserto sob a liderança de Moisés. A própria palavra “Quaresma” deriva do latim Quadragesima, referência direta ao número quarenta. Em idiomas como o espanhol (Cuaresma), o italiano (Quaresima) e o francês (Carême), a raiz semântica preserva a mesma ideia.

No Brasil, país de maioria cristã, a observância da Quaresma é mais intensa entre católicos, ortodoxos, anglicanos e luteranos. Entre evangélicos, a prática não é institucionalizada, uma vez que parte dessas denominações entende que o jejum e a oração devem ser constantes ao longo do ano, e não concentrados em um período específico. Ainda assim, o tempo quaresmal repercute culturalmente em diferentes segmentos da sociedade, influenciando costumes, hábitos alimentares e agendas religiosas.

Entre as práticas mais comuns estão a abstinência de carne, especialmente na Sexta-Feira Santa, o aumento da leitura bíblica, a intensificação das orações e a realização de ações solidárias. A forma do jejum varia conforme a decisão individual do fiel: alguns optam por restringir alimentos específicos, como carne vermelha, doces ou bebidas alcoólicas; outros adotam privações simbólicas, como redução do uso de redes sociais ou de entretenimentos. O propósito, segundo a doutrina, não é meramente alimentar, mas espiritual — um exercício de disciplina e desapego.

Em 2026, a Páscoa será celebrada em 5 de abril. Mais do que um calendário litúrgico, o período se apresenta, para milhões de fiéis, como um convite à introspecção — um intervalo no ritmo acelerado da vida contemporânea para refletir sobre valores, falhas e compromissos pessoais antes da celebração da ressurreição simbolizada na Páscoa.

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