Comissões da Câmara de Itapeva arquivam projeto de empréstimo de R$ 20 milhões da Prefeitura
Primeira reunião legislativa de 2026 rejeita operação de
crédito por falhas técnicas, ausência de impacto orçamentário e descumprimento
de lei municipal
A primeira reunião das Comissões de Legislação e de Economia
da Câmara Municipal de Itapeva em 2026 terminou com um recado direto ao
Executivo: projetos de alto impacto financeiro não passarão sem amparo técnico,
jurídico e orçamentário consistente. Na manhã desta quarta-feira, 7 de janeiro, os
vereadores decidiram arquivar o projeto de lei enviado pela Prefeitura que
autorizava a contratação de um empréstimo de até R$ 20 milhões junto à Agência
de Fomento do Estado de São Paulo (Desenvolve SP), destinado à compra de
veículos e maquinário pesado.
Protocolado ainda em novembro do ano passado, o projeto
permaneceu sob análise das comissões por semanas, até ser levado à deliberação
conjunta. O desfecho foi desfavorável ao Executivo. A proposta foi rejeitada
nas duas comissões por quatro votos contrários e apenas um favorável, da
vereadora Gleyce Dornelas (Novo), que defendeu o prosseguimento da matéria para
votação em plenário.
As críticas mais duras partiram do vereador Ronaldo Coquinho
(PL), que classificou a justificativa apresentada pela Prefeitura como frágil e
incompleta. Segundo ele, o texto não especificava o valor exato da operação,
tampouco apresentava estudos técnicos, impacto orçamentário ou análise clara
das condições financeiras do empréstimo. “É um projeto com justificativa muito
branda. Não fala o valor exato da operação de crédito, não detalha juros, não
apresenta estudo de impacto. Isso é grave quando se trata de endividar o
Município”, afirmou.
Coquinho foi além e apontou incompatibilidade direta do
projeto com a Lei Municipal nº 5.278/2025, aprovada no ano passado justamente
para disciplinar operações de crédito da Prefeitura. A legislação estabelece
critérios objetivos, como valor máximo da operação, finalidade detalhada, prazo
de pagamento, condições de financiamento, forma de amortização e indicação da
fonte dos recursos. “Essa lei está em vigor e precisa ser respeitada. O projeto
enviado não atende aos requisitos mínimos previstos nela”, reforçou o
parlamentar.
Durante o debate, o vereador Júlio Ataíde (PL) chegou a
sugerir que as comissões solicitassem complementação de informações ao
Executivo antes de uma decisão definitiva. A proposta, no entanto, não
prosperou. A maioria dos membros entendeu que as lacunas do projeto, somadas ao
atual cenário econômico e às alternativas de captação de recursos existentes,
inviabilizavam o avanço da matéria naquele formato.
No texto encaminhado à Câmara, a Prefeitura sustentava que a operação de crédito teria como foco a modernização da frota municipal e o fortalecimento da capacidade operacional de secretarias estratégicas, como Infraestrutura Urbana e Rural, Transporte, Esporte e Saúde. O Executivo também alegava que as condições oferecidas pela Desenvolve SP seriam compatíveis com a realidade financeira de Itapeva, caracterizando uma oportunidade segura e vantajosa de investimento em bens duradouros.
O arquivamento do projeto, logo na primeira reunião
legislativa do ano, evidencia um clima de maior rigor técnico e político na
análise das propostas do Executivo. Mais do que um revés pontual, a decisão das
comissões sinaliza que operações financeiras de grande porte exigirão, a partir
de agora, não apenas boas intenções administrativas, mas projetos robustos,
transparentes e plenamente alinhados à legislação vigente. Em Itapeva, ao menos
por ora, o freio foi puxado antes que a dívida avançasse.

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