Saúde

UTIs pediátricas enfrentam superlotação por doenças respiratórias em todo o Brasil

Pediatras fazem alerta aos pais: levem crianças às unidades de saúde apenas em casos de extrema necessidade para evitar exposição a novos vírus

Em todo o país, unidades de terapia intensiva (UTIs) voltadas ao atendimento infantil operam no limite da capacidade. A explosão de casos de doenças respiratórias nas últimas semanas, como bronquiolite, infecções por adenovírus e rotavírus, tem pressionado hospitais públicos e privados, acendendo o alerta entre pediatras e autoridades sanitárias. O cenário se repete em capitais e cidades do interior, com longas filas de espera por leitos e equipes médicas sobrecarregadas.

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nota recomendando que pais e responsáveis busquem atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou prontos-socorros apenas em situações de real urgência. O objetivo é evitar a disseminação de agentes infecciosos nesses ambientes, que hoje concentram crianças vulneráveis e com diferentes quadros clínicos. “Muitas vezes, a criança entra com um problema leve e sai com um quadro agravado por infecções hospitalares”, adverte a entidade.

A bronquiolite, doença viral que afeta principalmente bebês e crianças pequenas, é hoje a maior causadora de internações pediátricas no país, além da pneumonia. Altamente contagiosa, ela pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. O adenovírus, por sua vez, tem causado surtos de infecções respiratórias e gastrointestinais, com quadros febris persistentes. Já o rotavírus é responsável por diarreias agudas que podem levar à rápida desidratação, exigindo internação imediata em muitos casos.

O aumento de internações à sazonalidade típica do outono e do inverno, além da retomada plena das atividades escolares presenciais, o que facilita a circulação de vírus. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em algumas regiões, a taxa de ocupação das UTIs pediátricas já ultrapassa os 90%. Há casos em que crianças precisam ser transferidas para municípios distantes por falta de leitos disponíveis.

Diante desse quadro, profissionais da saúde reforçam a necessidade de prevenção, com ênfase na higienização das mãos, ventilação adequada de ambientes, etiqueta respiratória e atualização da caderneta de vacinação.

A orientação final aos pais é clara: só procure as unidades de saúde em caso de sintomas - como febre persistente, dificuldade para respirar, vômitos contínuos, sinais de desidratação ou sonolência excessiva. Em quadros leves, manter o tratamento em casa, com observação e cuidados básicos, é a melhor forma de proteger a criança e evitar novos contágios nas emergências superlotadas.

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