Prefeita Duch anuncia financiamento milionário para Itapeva, solução ou novo fardo?
Em pronunciamento nas redes sociais, gestora promete renovar frota e pavimentar ruas, mas custo a longo prazo levanta sobrancelhas
A prefeita Duch resolveu abrir o verbo hoje, num pronunciamento gravado e jogado nas redes sociais como quem atira um osso para acalmar a matilha. Com ares de quem descobriu a pólvora, ela anunciou que vai recorrer a um financiamento da Caixa Econômica Federal, o tal do Finisa, para tirar a prefeitura do sufoco e, quem sabe, dar um tapa no visual da cidade. A promessa? Caminhões pipa, ambulâncias, pás carregadeiras, vans e até um asfalto novo para as ruas esburacadas de Itapeva, tanto na zona urbana quanto na rural. O preço? Um compromisso de 10 anos que, segundo ela, não vai apertar o cinto da “saúde financeira” do município. Será?
O tom da prefeita é de quem quer vender esperança, mas o cheiro que fica no ar é de mais uma gambiarra administrativa. Ela mesma admite que pegou uma prefeitura refém de aluguéis de veículos sucateados, tratores beberrões de combustível e equipamentos que parecem saídos de um ferro-velho. “Foi dessa forma que nós agimos quando assumimos”, disse, como se o diagnóstico tardio fosse medalha de honra. Ora, Duch, o contribuinte quer saber: por que demorou tanto para perceber que a casa estava caindo? E mais: por que os vizinhos, que ela cita como exemplo, já tinham se mexido enquanto Itapeva patinava na lama?
A solução, claro, é enfiar a mão no bolso do futuro. O Finisa, esse nome pomposo que soa como salvação, vem com 12 meses de carência – um ano sem pagar os aluguéis que ela tanto lamenta – e parcelas diluídas em uma década. “São parcelas possíveis de serem pagas”, garante a prefeita, com a tranquilidade de quem jura que o orçamento municipal é elástico. Mas o contribuinte, que não nasceu ontem, já viu esse filme antes. Em fevereiro, ela própria quitou um financiamento herdado de gestões passadas. E agora, mal livrou o pescoço de uma corda, já está amarrando outra?
Duch tenta se blindar com o discurso de “prática comum” e “gestão de qualidade”. Fala em documentação pronta para a Câmara Municipal aprovar, como se o Legislativo fosse apenas um carimbo de borracha. A lista de aquisições impressiona no papel: caminhões de lixo, motoniveladoras, transporte para serviços públicos e até recapeamento de ruas. Mas o diabo mora nos detalhes. Quanto vai custar esse banquete de promessas? Qual o juros desse presente da Caixa? E, principalmente, quem vai pagar a conta quando o prazo de carência acabar e as parcelas começarem a bater na porta?
A prefeita jura que o financiamento é o caminho para o “desenvolvimento de Itapeva”. Pode até ser. Mas o histórico de gestores que confundem endividamento com progresso é longo demais para engolirmos essa história sem mastigar. Por enquanto, o que Duch oferece é um cheque em branco assinado com o suor do contribuinte. Se vai virar obra ou dor de cabeça, só o tempo – e os cofres municipais – dirão. Fique de olho, Itapeva. A carência de um ano pode ser só o aperitivo de uma ressaca de dez.

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