Aparelhos de academias ao ar livre são alvos de vandalismo em Itapeva
Na manhã desta segunda-feira, moradores encontraram os
equipamentos cobertos de graxa; população cobra manutenção e segurança dos
espaços públicos
A manhã desta segunda-feira, 7 de abril, começou com
indignação e revolta para os frequentadores das academias ao ar livre em
Itapeva. Acostumados a iniciar o dia com exercícios físicos, muitos munícipes
se depararam com uma cena lamentável: os aparelhos públicos de ginástica
estavam cobertos por crostas de graxa automotiva, especialmente nas partes de
contato com as mãos, impossibilitando o uso dos equipamentos.
As imagens do vandalismo foram registradas por um
frequentador assíduo da academia localizada em um dos espaços públicos da
cidade. Ele utilizou suas redes sociais para denunciar o ato e cobrar do poder
público uma atitude mais enérgica no cuidado e na vigilância desses locais. “A
gente vem aqui cuidar da saúde e se depara com esse descaso. Além do
vandalismo, os aparelhos estão todos largados, quebrados, sem manutenção. Não é
de hoje que isso vem acontecendo”, desabafou o morador em seu vídeo, que rapidamente
repercutiu entre outros usuários e moradores da região.
A publicação serviu de estopim para uma enxurrada de relatos
semelhantes. Em diferentes bairros da cidade, academias ao ar livre apresentam
sinais claros de abandono: estruturas danificadas, parafusos soltos, peças
faltando, além da ausência de qualquer tipo de fiscalização, especialmente
durante a noite e a madrugada. Moradores afirmam que os espaços vêm sendo
ocupados fora do horário de uso regular por grupos que promovem baderna e, em
alguns casos, até consumo de bebidas alcoólicas e usuários de drogas.
Diante do episódio de hoje, voltou à tona uma sugestão que
tem ganhado força entre os moradores: o fechamento desses espaços com
alambrados e a definição de horários específicos de funcionamento, restringindo
o uso ao período da manhã e fim da tarde, justamente quando são utilizados por
quem busca atividade física de forma segura. A ideia inclui também a
possibilidade de transformar os locais em pontos de estágio supervisionado para
estudantes de Educação Física da cidade, promovendo, além da preservação, um
uso mais estruturado e pedagógico das academias ao ar livre.
A situação escancara uma crise silenciosa que se arrasta há
anos: a fragilidade da manutenção de equipamentos públicos em Itapeva e a falta
de uma política efetiva de segurança nos espaços de convivência urbana. Embora
idealizadas como alternativa acessível para o cuidado com a saúde da população,
as academias ao ar livre têm se tornado, com frequência cada vez maior, pontos
vulneráveis à ação de vândalos.
É necessária uma reavaliação da política de ocupação desses
espaços. A sensação de abandono gera um ciclo vicioso: quando um bem público
não é cuidado, ele se torna alvo mais fácil para ações como essa. E a
comunidade, que deveria se apropriar positivamente do espaço, acaba se
afastando.
Até que uma solução seja encontrada e medidas efetivas sejam
tomadas, as academias ao ar livre, que deveriam ser espaços de saúde e
bem-estar, continuam ameaçadas por ações de descaso, degradação e omissão.
Crédito/Foto: Paulo Baré

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