Política

O Jogo de Cabide de Empregos em Itapeva

A prefeita Coronel Duch, eleita sob o manto da renovação e com um discurso enfático contra os vícios da velha política, dá sinais de que a prática está longe de acompanhar a retórica. A edição do Diário Oficial desta sexta-feira (10) traz mais um episódio que reforça a contradição entre o discurso de campanha e as ações no governo. 

No centro da polêmica está a nomeação de Zenice Woolck Santos Curto para o cargo em comissão de Diretora de Departamento de Assistência à Indústria e ao Comércio, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico. A escolha, além de chamar atenção pelo cargo estratégico, escancara uma relação familiar que complica ainda mais a gestão da prefeita: Zenice é irmã da vereadora Lucinha Woolck, figura próxima à prefeita e presença constante nos bastidores do gabinete. 

A dança das cadeiras, ou melhor, o "cabide de empregos", tem sido uma prática recorrente em gestões marcadas pela troca de favores políticos, onde indicações pessoais ou familiares prevalecem sobre critérios técnicos. Não bastasse a nomeação, a coincidência de datas entre a visita da vereadora ao gabinete e a publicação no Diário Oficial levanta suspeitas que a prefeita Duch terá dificuldades para explicar. 

Na campanha eleitoral, Coronel Duch ergueu a bandeira da mudança. Prometeu moralizar a máquina pública, colocar um fim na velha política e garantir transparência nos atos de sua administração. O que se vê, no entanto, é um governo que segue à risca o manual da política tradicional, onde a troca de favores e indicações de apadrinhados ainda são as principais moedas de troca. 

A nomeação de Zenice Woolck, somada a outras já questionadas em edições anteriores do Diário Oficial, é um exemplo cristalino de como o discurso de renovação tem servido como fachada para práticas que há décadas desgastam a confiança da população na política municipal. 

O sistema é antigo, mas eficiente para aqueles que desejam manter o controle: atrai aliados com promessas de cargos, acomoda parentes em posições estratégicas e fortalece sua base de apoio com o dinheiro público. Enquanto isso, a população de Itapeva continua aguardando as prometidas melhorias nos serviços básicos, investimentos em infraestrutura e a tão falada "gestão moderna" que foi vendida durante a campanha. 

Os bastidores da política de Itapeva confirmam aquilo que já se tornou uma tradição: não importa o quanto os candidatos prometam renovação, na prática, o que se vê é o fortalecimento de velhas práticas. A própria prefeita, com seu discurso de moralização, parece sucumbir às pressões do sistema que, em última análise, é mantido pela própria classe política. 

A moralização da administração pública foi um dos pilares da campanha da prefeita Coronel Duch. No entanto, a cada edição do Diário Oficial, surgem evidências de que o discurso ficou apenas no papel. A nomeação de Zenice Woolck não apenas contradiz as promessas de campanha, como também coloca em xeque a credibilidade da prefeita e sua capacidade de implementar as mudanças prometidas. 

O "jogo do cabide de empregos" não é apenas uma prática ética duvidosa, mas também um desserviço à população. Cargos estratégicos deveriam ser ocupados por pessoas qualificadas, escolhidas com base em critérios técnicos, e não por parentes ou aliados políticos. A nomeação de Zenice reforça a percepção de que, em Itapeva, a política ainda é um jogo de interesses pessoais, onde a meritocracia passa longe. 

O caso de Itapeva não é isolado. Em várias cidades do país, candidatos que se apresentam como símbolos de renovação acabam reproduzindo as práticas que criticaram. A falsa renovação é uma das grandes tragédias da política brasileira: um discurso atrativo que conquista votos, mas que raramente se traduz em mudanças reais. 

No final, o eleitor, mais uma vez, se sente traído. Coronel Duch prometeu governar para todos, mas suas ações mostram que o governo parece estar sendo administrado para poucos. A cada nomeação questionável, a desilusão com a política aumenta e a confiança nas instituições públicas se deteriora. 

A população de Itapeva merece uma gestão que honre suas promessas, que respeite o dinheiro público e que coloque os interesses coletivos acima dos individuais. É preciso que a prefeita Coronel Duch lembre que foi eleita para fazer diferente, para romper com a velha política e para trazer uma nova forma de administrar a cidade. 

Se a prefeita continuar a seguir o caminho atual, será apenas mais uma na longa lista de políticos que prometeram renovação, mas entregaram mais do mesmo. Enquanto isso, os itapevenses continuam à espera de um governo que realmente represente a mudança pela qual votaram.

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