Editorial

Os vereadores querem a cabeça do prefeito Mário Tassinari

Ano passado o vereador Andrei Muzel disse em alto e bom som na tribuna da Câmara Municipal: “A prostituição na política de Itapeva é enorme, por isso não elegemos nenhum deputado!”. O vereador fechou o raciocínio do seu discurso afirmando ainda que “o diálogo com o Poder Executivo é difícil”.

O diagnóstico do nobre edil sobre a política de Itapeva é certeiro, não apenas por dizer como as coisas são condicionadas nos bastidores da política desde sempre, mas por ter coragem de dizer a verdade nua e crua doa a quem doer.

Sim, existe a dita prostituição política e falta de diálogo entre grupos de situação e oposição que operam politicamente no Poder Executivo e Poder Legislativo de Itapeva. Isso é fato. O que também é fato notório, é que a culpa pela prostituição política, falta de diálogo e desarticulação na política municipal são dos próprios políticos de Itapeva.

Prefeito e vereadores e seus respectivos assessores e bajuladores são os grandes vilões das histórias que se repetem em Itapeva, mandato após mandato. A política de Itapeva é ruim porque os operadores políticos são de péssima qualidade. Preferem gastar tempo e energia, dando vazão as encrencas pessoais e ataques sistemáticos sem nenhuma relação com as necessidades e interesses da população, ao invés de trabalharem para o progresso do município. Essa, é a outra verdade que deve ser dita, doa a quem doer.

Desde o ano passado, assim como em outros mandatos, os vereadores vêm operando no modo “quanto pior melhor” atacando o prefeito com um repertório de reclamações que são produtos da falta de habilidade ou teimosia do prefeito em conduzir determinadas situações e ações. O prefeito também vem operando no modo “sou eu quem mandou aqui” agindo como se fosse dono da cidade, fazendo mil e umas, sem nenhum projeto que justifique determinadas ações, como por exemplo, construir um puxadinho na Praça Anchieta que ficou conhecido como ponto do caldo de cana.  

O prefeito ao invés de praticar uma gestão que trabalha com foco em solucionar demandas que afetam diretamente a vida do cidadão, como limpeza praças e vias públicas, recapeamento de ruas e serviços de manutenção de estradas rurais, preferiu investir pesado em gastos exorbitantes e supérfluos, como por exemplo, torrar quase R$1.300.00,00 em aluguel de decoração de Natal.

A população e vereadores cobertos de razão alegaram que tapar buracos, capinar e roçar praças e calçadas não estavam nos planos do prefeito gastador, que preferiu autorizar a Secretaria de Cultura, moer o dinheiro dos cofres da prefeitura em luzes e decoração de Natal.

Na mesma linha foram gastos R$3.000.000,00 com procedimentos de georreferenciamento, enquanto não houve no mesmo período planejamento e investimentos em ações de manutenção e construção de infraestruturas básica para melhoria da zona urbana e rural. Até o momento as reclamações sobre falta de água e construção de poços artesianos assombram o prefeito que não sabe o que fazer a respeito do assunto por ser mal assessorado em assuntos de natureza técnica.

Logo em seguida da polêmica da decoração natalina a peso de ouro, o prefeito enviou projetos de aumento de taxas de limpeza e IPTU para Câmara Municipal. Novamente recebeu uma avalanche de críticas merecidas. O mesmo prefeito que prefere investir em locação de iluminação natalina, sem priorizar serviços de manutenção e zeladoria pública do município, quer a qualquer custo aumentar impostos para investir em qual setor? Novamente os vereadores e população reclamaram que o prefeito preferiu gastar sem projeto sob argumento de revitalizar o Pilão D'Água, desmatando repentinamente o parque sob alegação que no futuro próximo ao local será um grande atrativo cultural e de lazer. Até agora nada.

Como todos sabem o prefeito prometeu que uma das prioridades do seu governo seria habitação, mas até agora onde estão os loteamentos de casas populares? Nada até o momento.

A propaganda do prefeito, feita sob medida para iludir a população, volta e meia anuncia que pontes serão feitas, mas a pontes afundam e caem na zona rural, como ocorreu nos bairros da Conquista e Fonseca. O prefeito anuncia que mais ruas serão iluminadas e que a coleta de lixo será seletiva, porém a escuridão ainda toma conta de bairros inteiros, com terrenos públicos sujos, ao ponto de ao lado de uma escola ter se tornado em residencial de drogados. Mas até agora nenhum anuncio de moradia popular.

A propaganda das redes sociais do prefeito mostra sempre festas, eventos, logicamente para mostrar em fotos o vídeo o glamour e vida boa do Poder Executivo de um prefeito sempre ao lado dos massageadores de ego de plantão. Ai de quem ouse reclamar e reivindicar alguma coisa! Só se aceitam elogios no gabinete do todo poderoso e nas postagens!

Outra polêmica que rendeu pano pra manga foi a retirada e demolição do camelódromo. Depois de anos a fio de impasse o prefeito, atendendo determinação do Ministério Público, ordenou a remoção dos boxes e demolição do local. Os vereadores ficaram em pé de guerra com o prefeito. A ala mais demagoga da edilidade fez questão de aprovar uma lei sem validade para tentar impedir que a ordem de retirada fosse levada à efeito.

Depois de muita choradeira e reclamação improdutiva, inclusive de advogados e repórteres fundo de quintal associados aos vereadores que sempre agem como defensores dos fracos e oprimidos, o antigo camelódromo foi abaixo. Não sobrou boxe sobre boxe. Esse foi mais um motivo para os vereadores acusarem o prefeito de autoritário e ditador. Com certa razão, pois o prefeito muitas vezes tem síndrome do “quem manda aqui sou eu e obedece quem tem juízo”.

Por fim, em mais uma amostra grátis de que a política de Itapeva vai de mal a pior, o prefeito mesmo encarando todos esses episódios de desgaste político, preferiu abdicar da articulação política para garantir os votos necessários para ter um aliado como presidente da Câmara Municipal. Resultado: perdeu não apenas a presidência do Poder Legislativo, mas também a mesa diretora e comissões.

De quebra os vereadores devem instalar as comissões de inquérito, para investigar superfaturamento de obras e contratos da Secretaria de Cultura, Secretaria de Educação e Secretaria de Meio Ambiente. Tudo isso porque como disse o vereador: “O diálogo com o Poder Executivo é difícil”.

Não é preciso ter bola de cristal para prever que o ano de 2023 será repleto de brigas e desgastes tendo o prefeito Mário Tassinari como protagonista. Inclusive até mesmo a vice-prefeita Dra Elza Galvão vem dando sinais via postagens em redes sociais que discorda das decisões mais polêmicas do prefeito e secretários do famoso centrinho, que compõem o centro de poder do gabinete do prefeito.

Se o prefeito não for capaz de calçar as sandálias da humildade e aprender a escutar opiniões que divergem do seu núcleo duro de aduladores que sempre carimbam com sim senhor tudo o que ele diz, talvez o ano de 2023 possa ser de reviravoltas na política de Itapeva, custando a cabeça do prefeito Mário Tassinari. Vontade e motivos justificados para cassar o prefeito os vereadores dizem ter de sobra.

Como todos também sabem o prefeito prometeu que outra prioridade seria a geração de empregos e renda, mas o loteamento comercial para instalação de novas empresas está estacionado juntando capim e lixo a céu aberto. A prioridade de melhorar atendimento da saúde na rede municipal, também parece ter virado conto da carochinhas, pois o prefeito depois de um arranca rabo de anos com a Santa Casa finalmente conseguiu colocar outro superintendente no lugar o desafeto pessoal, dando um sinal claro que uma das suas metas como prefeito era usar o poder do cargo para fazer isso custe o que custar.



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