Editorial

As faces da má política que assolam Itapeva e região

Nos últimos dias, Itapeva se tornou manchete negativa no contexto político regional e nacional. 

O vídeo feito por um empresário do setor agrícola, o qual se identifica como apoiador da campanha de Jair Bolsonaro, dizendo para uma mulher que ela não receberia mais doações de marmitas após se declarar eleitora de Lula, viralizou nas redes sociais no último final de semana. 

No momento em que o empresário entrega um pacote de marmitas para a senhora, que aparenta estar em  situação de pobreza e depois de alegar que é da campanha de Bolsonaro, ele pergunta em quem ela vai votar. Quando a mulher, de forma simples e desprevenida quanto a má intenção do autor do vídeo, declara o seu voto em Lula, o empresário em tom de deboche e flagrante intenção de humilhar, diz olhando para a câmera: "Ela é Lula, a partir de hoje não recebe mais marmita. É a última marmita. A senhora peça para o Lula agora!". 

O vídeo alcançou mais de 3  milhões de visualizações, causando duras críticas sobre o comportamento de eleitores e apoiadores de Jair Bolsonaro contra pobres em todo Brasil. O fato do local do vídeo, produzido pelo próprio apoiador bolsonarista, ser em Itapeva, carregou o nome da cidade negativamente para todas as manchetes sobre o assunto durante toda semana. 

A cena gravada no vídeo não deixa dúvidas que houve flagrante desrespeito à liberdade de convicção política da mulher que recebia as doações das marmitas. A falta de bom senso do militante bolsonarista ao usar a fragilidade da situação da mulher como pretexto para humilhar eleitora de outro candidato também causou comoção e revolta de muitas pessoas em Itapeva. No Brasil inteiro a cena foi motivo para comentários e debates sobre a manifestações de intolerância nas eleições deste ano. 

No último sábado (10/9) a gravação começou a circular pelo Twitter, com pedidos para que tanto o homem quanto a mulher fossem identificados. A repercussão foi avassaladora, ao ponto do apresentador Luciano Huck, em postagem nas redes sociais, pedir para que a mulher fosse identificada para fins de ajudá-la diante da exposição humilhante que foi vítima. Por fim, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) por meio de articulação do ex-ministro Alexandre Padilha, promoveu a doação de seis meses de alimentos para a mulher. 

Por outro lado, os pedidos para identificar empresário envolviam a possibilidade de punição pela intenção de compra de votos e infração contra a liberdade política de qualquer pessoa garantida pela Constituição Federal. O fato de o acontecimento ter ocorrido em Itapeva causou desconforto na maioria dos moradores da cidade que lamentaram a situação. 

Como é público e notório, existem pessoas incapazes de exercitar seus direitos políticos e livre opinião com civilidade, educação e sensatez no debate político e eleitoral. Tanto isso é fato, que muitos políticos são praticantes desse vício, ao ponto de instigarem seus apoiadores a agredirem os órgãos de imprensa assim como humilharem e revidarem com ofensas gratuitas outras pessoas que divergem com opiniões políticas opostas.     

Em Itapeva não é diferente, pois o perfil de militantes políticos agressivos intolerantes e políticos autoritários, sem preparo para exercerem cargos públicos eletivos, ao ponto de não respeitarem a liberdade de expressão alheia e candidaturas concorrentes também existem por aqui. 

Por coincidência, exemplo de intolerância e antidemocracia também aconteceu no último final de semana em Itapeva. No sábado de manhã um grupo de apoiadores de um candidato local para deputado estadual, liderados por um articulador político associado ao grupo político do prefeito, investiu contra a candidata Simone Marquetto e seus acompanhantes na calçada de uma padaria na Praça Anchieta.  

Simone Marqueto, ex-prefeita de Itapetininga, que é candidata a deputada federal, estava fazendo corpo-a-corpo com fregueses da padaria sendo amistosamente recepcionada pelos mesmos, quando um dos coordenadores da campanha do candidato natural de Itapeva tentando impedir a candidata de interagir com as pessoas na calçada da padaria causou a confusão. A vereadora Lucinha Woolck, coordenadora local da candidata, relatou ficar muito aborrecida e constrangida com a atitude dos militantes do candidato apoiado pelo prefeito Mário Tassinari. 

Os fregueses da padaria que interagiam com a candidata logo reclamaram da falta de educação da equipe do candidato e saíram em defesa de Simone Marquetto. O candidato a deputado estadual, mesmo estando presente no local, não cumprimentou a candidata da cidade vizinha. Simone Marquetto mesmo após o incidente manteve sua agenda na cidade garantindo o sucesso de sua passagem por Itapeva contando com o apoio de centenas pessoas e calorosa recepção nas ruas e bairros de Itapeva.  

A confusão deixou claro apenas que se um candidato da nossa cidade não consegue ser minimamente educado com outros concorrentes políticos, e muito menos comandar sua equipe de apoiadores até na calçada de padaria da nossa cidade, obviamente não está à altura de ser nosso representante político na Assembleia Legislativa.   

A princípio existem eleitores e apoiadores tolerantes e intolerantes em todos os grupos políticos. O que se torna inaceitável é quando as lideranças políticas são os principais promotores desse tipo de comportamento hostil e intolerante na política. Seja em nível nacional ou municipal. 

Itapeva infelizmente ficará marcada nessa eleição por esses episódios de intolerância e fanatismo político noticiados na mídia. Caberá aos nossos eleitores e população dar a resposta nas urnas para qual modelo de representante político quer para nossa região e país. Se querem representantes despreparados e briguentos, com suporte de apoiadores intolerantes que agridem as pessoas, ou se querem pessoas capacitadas para trabalharem em benefício de toda nossa população e região.

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