Editorial

Editorial: Ver para crer: Quando começa a duplicação da SP-258?

O vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB) em sua caravana pré-eleitoral pelo interior paulista vem anunciando R$ 28 bilhões para investimentos nos municípios do estado de São Paulo. 

Diante disso, os governos municipais da região sudoeste paulista aguardam ansiosamente que as promessas do governo estadual de R$ 300 milhões de investimentos em obras comecem a serem cumpridos nos primeiros meses de 2022, antes do calendário eleitoral tomar grande atenção da cúpula tucana do governo paulista.  

Em entrevistas recentes, o vice-governador de São Paulo falou sobre assumir o Governo do Estado quando João Doria (PSDB) deixar o cargo em abril para concorrer à Presidência da República. “Esse dia está chegando. Me sinto hoje preparado, um 'clínico-geral' na gestão pública”, alegou Rodrigo Garcia (PSDB). 

Rodrigo Garcia também falou sobre ter mudado de partido. Em 2021, ele trocou o Democratas pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Como candidato ao governo do estado, o vice-governador deve contar com apoio político de partidos cujos caciques estiveram envolvidos em casos de corrupção, como é caso de Valdemar da Costa Neto, liderança política do PL, e Otávio Oscar Fakhoury, presidente do PTB no estado de São Paulo, que foi alvo da CPI da Covid e investigações das Fake News promovida pelo STF.

Para governar o estado mais rico do país, Rodrigo Garcia caracterizou o investimento de R$ 28 bilhões como “histórico”, e completou que revisou a lei orçamentária do governo do estado. Segundo Garcia, o governo paulista optou em reduzir mais despesas de custeio para colocar mais recursos no investimento, salientando que “é fundamental o gestor se colocar na pele das pessoas e ver como ajudar”.

As promessas do vice-governador de ampliar investimentos em obras de infraestrutura, em novos equipamentos de saúde e também investir em proteção social não passam desapercebidas pelos prefeitos da região de Itapeva. 

Os municípios que compõe a região administrativa de Itapeva são considerados como os mais fracos e desarticulados politicamente e administrativamente do estado. O fenômeno da dependência crônica de repasses do governo estadual e emendas de deputados estaduais de outras partes do estado, torna os prefeitos dos municípios do sudoeste paulista em lideranças políticas viciadas no apoio político aos candidatos do governo tucano e partidos que não possuem deputados com ligação territorial com a região.

As razões para esse fenômeno se deve muito a vassalagem tucana de prefeitos e vereadores que preferem, de longa data, sempre apostarem cegamente nas promessas do alto escalão dos governos do PSDB, apoiando candidatos indicados partidariamente, ao invés de fortalecerem lideranças políticas regionais para brigar por vagas na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Como diz o famoso ditado popular: “Pior cego é aquele que não quer ver”. As promessas de pré-candidatos do governo estadual que serão feitos investimentos em obras, como a duplicação da rodovia SP-258, no setor de saúde para criação de hospital regional e investimentos em educação superior, dentre outros setores, são reiteradamente repetidos às vésperas de cada ano eleitoral e sistematicamente descumpridos nos anos subsequentes pelo governos eleitos do PSDB. 

A cegueira é ainda maior quando se fala em eleger um deputado estadual “prata da casa” para representar a região de Itapeva. Historicamente os prefeitos de Itapeva, Itararé e Capão Bonito, maiores colégios eleitorais da região, jamais foram capazes de articularem um acordo conjunto para eleger um único candidato em comum para as cadeiras de deputado estadual, menos ainda para deputado federal.

A tendência para as eleições de 2022 é que os prefeitos e amontoado de vereadores dos municípios do sudoeste paulista se tornem cabos eleitorais de candidatos sem nenhuma ligação e relevância para região administrativa de Itapeva.

Para agravar mais a situação de dependência política da região sudoeste paulista, a Região Administrativa de Itapeva possui uma diretoria regional, subordinada à Secretaria de Desenvolvimento Regional, engajada única e exclusivamente em barganhar apoio eleitoral em troca de escassos recursos que atendem muito pouco as demandas das cidades menores da região, porém, mantém o ciclo vicioso de dependência de repasses do estado e emendas cada vez mais forte como se fosse um sistema feudal.   

Se nenhum prefeito ousar em romper com esse ciclo vicioso, os municípios da região estarão mais uma vez nas mãos do coronelismo tucano que trata o sudoeste paulista não como principal região produtora agrícola do estado de São Paulo, mas sim como latifúndio eleitoral para eleger candidatos coligados ao PSDB que fazem falsas promessas para toda região. 

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