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Assistencialismo político de olho nas eleições 2020

Opinião, Política, Região
Assistencialismo político de olho nas eleições 2020

Para muitos grupos políticos e agentes econômicos a manutenção da pobreza, do assistencialismo, baixo grau de qualidade de ensino e atendimento em saúde pública são convenientes. Esses são alguns fatores que mantém os currais eleitorais da dita “velha política” cativos, principalmente em cidades do interior.

O assistencialismo se converteu no mais duradouro e produtivo meio de manutenção de poder político em cidades onde o atraso no desenvolvimento social e econômico se tornou amplamente perceptível nas reivindicações da população. As constantes demandas por melhorias em pavimentação, manutenção de ruas, estradas, passeios públicos, tanto quanto reclamações sobre as péssimas condições de atendimento em serviços públicos de transporte urbano, postos de saúde, escolas e falta de vagas de emprego são também reflexos da política assistencialista que vigora de longa data nos municípios.

Não são apenas os partidos políticos e segmentos empresariais locais que lançam mão desse mecanismo de concentração de poder político. Há algum tempo entidades religiosas, projetos de cunho social, educacional e beneficentes se apropriam de nichos onde a carência da população se torna em fio condutor para o carreirismo político condicionado e dirigido por elementos do assistencialismo político.

Em épocas que antecedem o período eleitoral, muitas pessoas integrantes de grupos ligados a partidos políticos, igrejas, associações de bairros e escolas, cuja intenção de concorrer a cargos de vereador e prefeito são veladas até certo ponto, se tornam engajados em toda sorte de campanhas e projetos sociais tendo em vista a carência da população que é vítima de políticas públicas sempre insuficientes, tornando represadas pautas de reivindicações que são constantes feitas junto ao Poder Executivo e Legislativo.

Os vereadores, considerados como fiscais da sociedade em face obras, manuseio dos recursos financeiros e políticas sociais no município deveriam instrumentalizar e garantir meios de melhoria de vida para população, mas tendo em vista a cultura de cooptação política de vereadores para endossarem e viabilizarem projetos econômicos e políticos de setores que não dizem propriamente respeito aos interesses coletivos, o que se tem verificado é um campo fértil para semear o assistencialismo ante a inoperância dos agentes políticos em atender demandas da população.

As cidades da região sudoeste paulista integram o território conhecido anteriormente como Ramal da Fome, que em 2015 foi retrato em matéria da seção de economia do Estadão relatando o drama de uma família de tarefeiros rurais obrigados a sobreviver uma renda de R$ 400 mensais no bairro Santaninha, zona rural de Ribeirão Branco.

Segundo a matéria, a queda na atividade econômica da região e em razão dos baixos indicadores sociais do município tornou a empregabilidade comprometida para mão de obra sem estudo e nenhuma especialização profissional. De 2015 até o presente momento, em vários municípios do sudoeste paulista, pertencentes ao Ramal da Fome, pouca coisa mudou após as eleições de 2016. Os prefeitos eleitos na região prometeram acesso a serviços de saúde, educação e infraestrutura urbana mais estruturados, além de condições favoráveis para atração de empresas para os municípios, tendo como foco a geração de novos postos de emprego e renda direta e indireta para uma população que reclama constantemente do desemprego e queda da renda familiar.

Em Itararé, cidade governada pelo prefeito de primeiro mandato Heliton do Vale, a população reivindica obras de pavimentação não apenas na rua central da cidade, mas em bairros onde as vias públicas, com chão de terra, remetem a Itararé do começo do século passado. Após dois anos cumpridos de mandato, os cidadãos enxergam ainda com desconfiança as promessas que empregos com bons salários sejam possíveis de serem conquistados em Itararé, principalmente para jovens, que irremediavelmente são obrigados a mudarem para cidades do norte do Paraná ou cidades vizinhas em busca de melhores oportunidades de emprego e estudos.
No mesmo sentido são as reclamações em Riversul, onde o governo estadual pretende construir um presídio, que segundo o prefeito Guilherme Gomes será uma oportunidade para geração de renda e empregos para os moradores da cidade.

Em Nova Campina, município com vocação no setor de extração madeireira e produção de papel e celulose, a prefeitura ainda destaca mutirão com referência no programa Bolsa Família e Viva Leite priorizando o setor assistência social ante a necessidade desenvolvimento social e econômico do município. Esse fator torna claro que a renda de parte da população do município não atingiu patamares mais elevados.

Em todos esses municípios é possível afirmar que a classe política é ativamente voltada para a metodologia do assistencialismo como carro chefe de ingresso na política. O baixo grau de participação e engajamento político de moradores com maior grau de escolaridade em assuntos políticos e sociais desses municípios também serve como parâmetro para avaliar a qualidade da política nessas cidades. Em muitas dessas cidades é comum se encontrar vereadores que beiram ao analfabetismo funcional, sendo incapazes em alguns casos de compreenderem e interpretarem textos legislativos e princípios da administração pública. Contudo, por serem operadores de táticas de assistencialismo gozam de grande apreço da população de bairros e distritos mais carentes desses municípios, o que resulta em votos que são muitas vezes garantidos por promessas de favores.

No Poder Executivo, o assistencialismo controlado por secretários e prefeitos se tornou muito mais que um meio político de manutenção de poder. A concessão e criação de cargos para apadrinhados políticos e falta de fiscalização tornou possível instalação de uma grande rede de empresas ligadas a interesses econômicos que lucram mediante licitações direcionadas especialmente nos setores de transporte escolar, obras, serviços e fornecimento de produtos nos municípios onde há notória omissão na fiscalização por parte da edilidade. A modalidade do assistencialismo empresarial, dotado de características próprias, também vigora em cidades que os índices de desenvolvimento social, educacional e econômico simplesmente estacionaram ou avançam a conta gotas.